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in-cosmetics Latin America 2026 e os próximos movimentos da beleza

Foto do escritor: Carolina Habeyche
Carolina Habeyche
28 de set.
3 min de leitura

Neurocosméticos, omnichannel, wellness, novas referências estéticas e o destaque da perfumaria foram alguns dos sinais que mais me chamaram atenção nesta edição.


Instalação "Ciência das Emoções" no stand da Royale Fragrâncias


Na in-cosmetics Latin America vale a pena observar não apenas o que está sendo lançado, mas para onde a indústria parece estar olhando.

Claro que ingredientes, tecnologias e fornecedores são o centro da feira. Mas caminhar pelos corredores também permite perceber mudanças de comportamento e de referências culturais que começam a entrar no desenvolvimento de produtos.

Nesta edição, alguns movimentos me chamaram especialmente a atenção.


Quando “neuro” precisa ser mais do que um claim

No palco Marketing Trends, Ana Paula Pedroso, head de P&D da Granado, trouxe uma discussão super relevante sobre neurocosméticos.

O interesse pela conexão entre pele, sistema nervoso e bem-estar cresceu muito mas a legislação não acompanhou a tendência. A palestra trouxe uma distinção importante: um cosmético agradável de usar não se torna neurocosmético simplesmente porque gera uma sensação positiva.

Para sustentar, é preciso demonstrar um alvo neural, um mecanismo de ação e um efeito objetivo. Mesmo que não haja uma legislação específica para isso.

É uma discussão que vai além da formulação: até onde vai a inovação e onde começa o claim?



Omnichannel não significa estar em todos os lugares

Outro conteúdo que me chamou atenção foi a apresentação de Keila Sauer, CMO do grupo Skelt.

A trajetória de Creamy mostrou o desafio de marcas que nasceram digitais e começam a ganhar escala por meio de novos canais.

Uma das melhores sínteses da apresentação estava no próprio slide:

“Chegar à prateleira é escala. Continuar sendo Creamy é estratégia.”

A ideia é simples, mas importante. Canais podem mudar. Formatos podem mudar. Públicos podem se ampliar. O que não pode desaparecer é aquilo que faz o consumidor reconhecer aquela marca.

Omnichannel, portanto, não é apenas distribuição. É coerência de marca ao longo de diferentes pontos de contato.


Da performance para a comunidade

Leandro Gusmão, diretor de marketing da Pink Cheeks, trouxe outro movimento que bem interessante: a transformação do esporte, especialmente da corrida, em território cultural.

A frase usada na apresentação resume bem essa evolução:

Nos anos 1970 corríamos para evitar doenças. Nos anos 2000, para bater metas. Em 2026, corremos para nos conectar.

Run clubs, provas, Strava e comunidades de exercício mostram que o esporte passou a funcionar também como ambiente de socialização.

E quando um comportamento se transforma em estilo de vida, naturalmente abre espaço para novas categorias.

É nesse ponto que beleza e wellness começam a se aproximar.


Três novas referências nos stands

Além das palestras, gosto muito de observar as novidades que os expositores trazem para a arquitetura e cenografia dos stands.

Nos últimos anos, vimos uma presença muito forte da botânica, da sustentabilidade e de ambientes inspirados na natureza.

Nesta edição, três outras referências apareceram bastante para mim.

Oriente Médio. Dourados, arabescos, cores intensas e códigos visuais associados à perfumaria árabe apareceram em diferentes stands. É difícil separar essa estética do crescimento global desse universo de fragrâncias.

Gourmand. Chocolaterie, pâtisserie, sobremesas e ingredientes culinários surgiram tanto nas fragrâncias quanto na própria maneira de apresentar produtos e construir experiências nos stands.

Pet. Fragrâncias, neutralizadores de odores e cuidados formulados especificamente para animais começam a ganhar mais espaço.


Essas referências mostram algo interessante: a indústria de beleza continua buscando novos territórios culturais para construir desejo.



E a protagonista da feira?

Se eu tivesse que escolher uma categoria que se destacou nesta edição, seria perfumaria.


Já acompanhei momentos em que produtos para cabelo dominavam as conversas da indústria. Depois veio uma enorme expansão do skincare, acompanhada também pela evolução do discurso de anti-aging para pro-aging.


Agora, na minha leitura, a bola da vez é a fragrância.


Ela aparece ligada a emoção, memória, gourmand, cultura árabe, bem-estar, experiência e até ao universo pet.


A perfumaria ganhou um lugar cultural muito próprio. Em um mundo saturado de imagens, ela acessa o consumidor por uma via invisível, mas profundamente sensorial. Fragrância aciona memória, emoção e identidade. Entre os mais jovens, virou também repertório e expressão pessoal. Talvez por isso tenha voltado a ocupar um espaço tão central na beleza.


Stand da Takasago, casa de perfumaria japonesa com 106 anos e presença no Brasil desde 1963.

 
 
 

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